COBERTURA: Criolo emociona público no encerramento da noite de sábado

Criolo fechou o primeiro dia de UFSCTOCK de forma excepcional. O público e a banda estavam no mesmo transe desde a introdução instrumental de Mariô até o final, quando a geral cantou Demorou. Enquanto DJ Dandan chamava “Vamo fazê barulho, família!”, Criolo declamava suas rimas com inspiração vinda da alma.
Entre as músicas, o público ovacionava aos gritos: “Amor em primeiro lugar”, “preconceito é uma merda!”. Para Subirudoistiozin, o rapper invocou todos a canalizar a energia do momento para as pessoas que estão passando algum tipo de necessidade. Além da poesia na música, os pensamentos que Criolo soltava eram intensos. A ignorância é inquilina do homem ou o homem é inquilino da ignorância?
Com as mãos maestrando a banda e o público, o rap/samba/dub/reggae/afrobeat ganhou a energia do jazz antes de Grajauex. E aí o saxofone de Thiago França soou e começou a homenagem à quebrada do Criolo Doido. O dono dos gestos que conduziam a catarse coletiva era dramático em cada canção. Na transcendência do Dub, dançando de olhos fechados, com a cabeça feita pela vibe do som. O moleton e o capuz floresceram rapidamente no poeta. Criolo Doido deu um show dentro de seu show.
O performático bolero Freguês da Meia-Noite recebeu a companhia de Domingo à Tarde, de Nelson Ned. O estilo romântico fez até alguns casais dançarem em par. Duas músicas pra discordar de quem diz que falar de amor é brega. Quando Não existe amor em SP começou, ficou impossível descrever o clima da plateia. Muita gente cantando com tanta emoção quanto a da interpretação de Criolo. Antes de uma pausa estratégica, a Praça da Cidadania se transportou para Bogotá. Foi melhor que Passárgada. Durante o pequeno intervalo o público gritou para que a banda voltasse. Ela voltou e deixou o recado de que ninguém vai dizer o que se deve fazer nessa porra.

Daniel Ganjaman, o lendário ex-Planet Hemp, fez questão de dizer que o UFSCTOCK já está na agenda dos festivais independentes. Foi o reconhecimento do evento pelo Homem Ganja, um dos principais produtores da cena atual. O barulho que o público fez para os músicos estremeceu até as vidraças da Reitoria. Aplausos, assobios e um agradecimento de joelhos à Ganjaman, dos teclados; Marcelo Cabral, do Contrabaixo; ao guitarrista Guilherme Helt; à Pupilo, baterista; Thiago França, da flauta transversal, do sax e do cavaco; ao percussionista Maurício Badé nas congas e cuíca; e ao espirituoso DJ Dandan. No time também tá junto o rapper Correria, que estava no trampo da venda de CDs e Vinis do Nó na Orelha.



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